Novos sentimentos

Vou usar meu blog como ferramenta, para liberação dos sentimentos, por palavras.

Dia 1 de dezembro fui pega de surpresa, meu marido, meu amigo e companheiro sofreu um infarto fulminante. No caminho para o hospital telefonei para todos os médicos que eu conhecia e pedi oração. Foi um caminho longo, ao mesmo tempo rápido, fui com o meu vizinho que é policial. Chegando ao hospital, houve um tempo de espera por notícia, tempo suficiente para chegar alguns amigos e parentes, não consigo mensurar esse tempo. Não ouvia, meus olhos não saiam da porta (de onde viria a notícia do Ivan) eu sentia um tremor interno. Quando a médica me chamou para dentro da UTI, eu pensei: finalmente vou ver o Ivan e saber o que aconteceu. Entrei numa sala pequena com algumas cadeiras, a médica pediu que eu me sentasse, mas eu não queria sentar, ela insistiu e eu sentei com as pernas inquietas e as mãos cruzadas. A médica começou a relatar: que o Ivan tinha passado mal no supermercado, que os bombeiros foram chamados. Continuou o relato: os médicos tiveram dificuldades de convence-lo a ir para o hospital, quando convenceram ele queria ir dirigindo (esse era o Ivan😍), quando ele entrou na ambulância ele teve um infarto e nunca mais voltou. Essas palavras estavam soltas eu não conseguia entender, comecei a perguntar: como assim não voltou? Ela me respondeu: ele não resistiu. Eu ainda sem querer entender, perguntei: o que quer dizer não resistiu, ele morreu? A médica respondeu: ele teve um infarto fulminante e morreu. As palavras fizeram sentido, mas eu não as compreendia. De repente minha cabeça e meu coração ficaram vazios, meus sentimentos presos foram sendo liberados com gritos e choro. Esse choro ecoava dentro de mim, forte e fazia doer, uma dor que ecoa até hoje, como se eu estivesse doente. Em meio a essa dor forte, alguém me lembrou de avisar para os meus filhos (a Pri mora na Bahia e o Thiago no Canadá), queriam me poupar dessa conversa, mas eu disse:quem fala com eles sou eu. Essa frase me fez voltar a lucidez, imediatamente pensei que  a Pri não poderia receber essa notícia sozinha, liguei para o grande amigo dela, e ele foi providenciar pessoas para estarem ao seu lado. Liguei para o Thiago, por causa do fuso horário ele ainda estava na cama acordando. Eu não lembro as palavras, eu lembro que eu queria amenizar a dor deles, mas não tinha como. Sem pensar muito, apenas com a certeza que a dor iria dilacerar, eu disse o que eu não queria dizer e  que não queria acreditar. Quando ouvi a dor dos meus filhos, veio de novo aquele vazio que doía forte, aquele choro que ecoava alto dentro de mim, não queria vê los sofrendo. Lembrei deles pequenos, eu e o Ivan os protegendo das dores do mundo. A dor deles me fez ter flash back de lucidez, precisava ajuda los a chegarem aqui, eu tinha de permanecer em pé. Algumas perguntas dos meus amigos e parentes ficaram sem respostas, mas uma vez eu percebi a ausência de sentido, palavras desconexas eu ouvia e não compreendia. Minha tia disse:  vou leva lá para casa. Nesse momento eu compreendi e pensei: quero ir pra minha casa. Minha casa, estávamos sempre juntos em nossa casa... Cheguei em casa e não consegui sentir sua ausência, pois ele estava na dor que eu estava sentindo.

Depois eu continuo escrevendo, revirar esses sentimentos é difícil, mas vai me fazer bem... Reconheço essa necessidade, e percebo que devo usar a escrita para esse momento. Gosto de escrever, a escrita me persegue e eu a persigo sempre. Não ouço a escrever nesse momento para divulgar meus sentimentos e nem pretendo que todos os meus amigos leiam. Só escrevo para dividir essa dor e assim ela se fazer menor, e deixar espaço para o amor e saudade.
Stella Maris

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