Um pouco do "eu" que se esparramou em "nós"
Permitir ser eu mesma, me libertar da vaidade, daquilo que acho que sou.
Ser legítima comigo!
Tenho sonhado pequeno, demais.
Buscar na minha essência, uma página em branco.
Deixar a vida brotar, me reinventar e esquecer o que é normal. Estar presente em cada momento simples e reaprender a andar devagar atenta ao que me cerca. Redespertar o olhar curioso da minha criança!
Puxa! Me sentindo uma prisioneira de mim mesma, e como é urgente rever a mochila, que insisto em carregar. A mochila está pesada…
Momento de parar e reavaliar, o que vou continuar carregando, e se quero carregar alguma coisa. Necessário ficar mais leve!
Com ousadia vou trocar o “eu” pelo “nós”. Seguindo na reflexão, sobre o que levar, nesse caminhar da existência.
Como deixar o que sempre foi normal para nós? Construímos o nosso mundo, com cenários, personagens, pensamentos e sonhos. Em algumas situações, esse nosso mundo imaginário se confunde com o mundo perfeito; em outros momentos, pode não parecer perfeito; em muitos momentos, o nosso mundo apresenta-se como acabado e definitivo. Nos orgulhamos do que construímos, olhamos para trás e exaltamos algumas situações como vencedoras e até de superação.
Num determinado momento das nossas vidas olhamos o nosso mundo diferente, começamos a achá-lo pequeno, incompleto, pesado e cheio de normas. Com os olhos emprestados da essência, iniciamos a busca do natural.
Percebemos como deixamos as normas e a rotina moldarem o nosso cotidiano, e como os nossos passos se sentem seguros e firmes, nesse mundo imaginário. De repente, começamos a olhar diferente para toda essa normalidade, um olhar que instiga e ao mesmo tempo dá medo. Um olhar que questiona a existência! Questiona o que parecia “normalidade".
Afinal o que é normalidade? Normalidade pode ser tudo que nos afastar do natural, tudo que as normas têm produzido em nós. Principalmente, aquelas normas que criamos para a nossa zona de conforto. Urgente listar as incoerências, com habilidade tirá-las da normalidade e deixar florescer o natural. Rever, reavaliar as nossas normas requer uma pá, grande e forte, pois será preciso cavar e cavar fundo. Revirar e libertar!
Soltar a inspiração, no ato de inspirar e expirar, nos faz voltar a humanidade, que existe em nós. De olhos fechados, mirando aquela folha em branco, num suspiro intenso deixar fluir o desenho inspirado, num sonho sem limite.
Desenhar novos traços, retas, curvas que se entrelaçam na essência, permitir que o desenho ultrapasse as margens da folha em branco, que traga as cores e o silêncio da natureza.
Sem alarde, no silêncio, sem a insana busca de conhecer o final.
Aproveitar o caminho e nesse caminhar libertar os planos! Planos sem objetivos específicos, sem itinerários, sem cronogramas, conceber aos planos uma folha em branco.
Parece um delírio! Insano! Olhar o mundo que vivemos como um mundo imaginário e buscar no silêncio e no incerto novos traços para um mundo inacabado. Deixar para trás o que parecia perfeito, tirar a lente de aumento e incorporar o natural nas conexões humanas. Trazer a verdade, a essência, tirar a roupa e ficarmos nus como característica fundamentalista da conexão humana.
Nessa conexão humana, permitirmos a invasão do divino o gerador da energia, que faz a vida brotar.
No caos de uma pandemia, que evidencia a fragilidade do sistema político e da saúde, e potencializa a troca do “eu” pelo “nós”. Nunca foi tão essencial sermos “nós”, quando cuidamos do outro, estamos cuidando de nós. No momento de caos não somos melhores e nem piores, somos nós, sem perder a individualidade, somos envoltos pela conexão humana. A dor do outro nos afeta, estamos conectados, num paralelismo energético o que eu sinto, quando olho para dentro de mim, se manifesta na energia que transmito ao outro. Essa energia que emerge e convida a fazer diferente, e ser diferente é ser essência e natural, nos retira do momento de inércia sobre os sentimentos dos outros e nos faz partícula no escopo do universo.
Voltando para o “eu” em "nós”.
Em meio ao caos que vivemos, te convido a se despir, fechar os olhos, sentir o vento, deixar o sol de inverno aquecer… no silêncio do seu coração se permitir… ser amoroso com você e te olhar com carinho… exercitar no silêncio a explosão de sentimentos.
Buscar no Divino, de forma generosa, a conexão com o humano, com a humanidade.
Escrito por Stella Maris Macedo de Sousa
Comments