Clima de deserto
Quando cheguei no lago Paranoá para remar, às 6h, estava ventando e fazia 12 graus. Todos reclamavam do tempo! Muitos completavam, com a frase que virou clichê em Brasília, nessa época do ano: vivemos o clima do deserto. Essa frase define um dia começar com 12 graus, no meio do dia 30 graus e uma umidade que beira os 10% diariamente. Essa frase mexeu comigo: vivemos o clima do deserto, ou vivemos em clima de deserto.
Comecei a pensar nos desertos da minha vida.
Em meio aos desertos que eu vive, refleti: vivi o clima do deserto? Permiti que o vento frio da manhã me fizesse acordar? E o calor do meio dia foi apreciado?
Hum! E a falta de umidade, insisti em respirar quando faltava ar? Ou deixei esse trabalho para os pulmões?
Olhando para os meus desertos, percebo que sobrevivi a eles, mas não aprendi com eles, muitas vezes só reclamei e esperei com ansiedade a chuva.
Viver o deserto vai além de sobreviver a ele, refiro a viver no sentido subjetivo da existência. Nessa busca de revirar o sentido do viver, encontro nas oportunidades do deserto um reviver.
Stella Maris Macedo de Sousa

Comments