Crônica: Me levo para passear

Domingo depois de um feriado na sexta-feira, pela força do hábito, meu corpo  me acorda cedo. Murmurei um pouco, e levantei em seguida. Faço um café caprichado, tomo lentamente e aproveito para conversar um pouco. Pela janela aberta entra um vento frio, olho e vejo um céu azul como o mar e o sol iluminando as árvores.

Resolvo fazer uma caminhada, encontro um vizinho levando seu cachorrinho para passear, ao sair do prédio vejo algumas mães levando seus bebês para passear,  encontro outros cachorrinhos com seus donos, e outros carrinhos de bebês com seus pais. Encontro poucas pessoas correndo ou caminhando como eu, talvez pelo horário, os cachorros e as crianças acordam mais cedo.

Começo a refletir e deixo o pensamento livre me levar para passear e sentir o vento e o sol, meu presente para hoje. Me levar para  passear e permitir pensamentos, deixar os sonhos fluírem, buscar certezas e nelas acrescentar a incerteza,  encher de perguntas sobre a vida, sobre a existência.

Nesse dia que eu ganhei, quero estar a disposição da vida que me cerca, olhar ao redor e perceber a vida nos detalhes.
Vida que renova as árvores que florescem, vida que rola na conversa de dois amigos na esquina, viver como a criança que chora sem saber dizer o que quer,  deixar o cachorro latir de alegria, permitir o sol aquecer e o céu refletir o azul. São detalhes de vida que pulsam e insistem nos detalhes.

Vou continuar o passeio comigo, nesse passeio quero tirar a poeira daquele sonho que eu não acreditava mais. Aquele sonho que nunca tive coragem de deixar de sonhar, mas que nunca ousei deixa-lo viver.

Assim retorno à minha caminhada, sinto o sol me aquecer e  o vento balançar meus cabelos. Volto para casa e recomeço meu cotidiano.

Parafraseando a mim mesma: quero me levar para passear.
Nesse passeio perceber a vida.


Stella Maris Macedo de Sousa

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