Retrospectiva - Aprender a Aprender
Para iniciar o texto com
propósito de retrospectiva peguei pela mão os quatro pilares que a UNESCO propõe
para a Educação: aprender a conhecer, a conviver, a ser e a fazer.
Pegar pela mão essa perspectiva de aprendizagem e escorar no
dia a dia, é o desafio.
Um dos maiores desafios é pegar
na mão, muitas vezes pegamos na mão das
certezas e acreditamos possuir coisas, pessoas e situações e ao abrirmos a mão
no final do dia, percebemos que muitas certezas escaparam entre os dedos.
Nesse sentido pegar com a mão,
não pode ser carregar a certeza, e sim a necessidade de construir e reconstruir
diariamente. Estar atento às incertezas construídas pelas certezas e aprender a
aprender.
Com o olhar na retrospectiva
que pretendo fazer, quero voltar ao
passado com o objetivo de aprender. Sem nostalgia olho com olhos de uma
criança curiosa, procuro com as mãos de uma artesã em busca da matéria prima,
escuto com o ouvido de um músico que se inspira na natureza.
Assim olho as pedras que
tropecei emolduradas como um quadro, e
percebo que algumas dessas pedras são as mesmas de anos anteriores, talvez
tenha mudado o tamanho, o formato e quem sabe a moldura. Ao invés de aprender
com as pedras, apenas as reconheci num tropeço e as coloquei numa moldura. É
preciso retirar a moldura e reconhecer a necessidade de "aprender a
conhecer". Conhecer as pedras e reconhecer nelas a necessidade de quebrar
a convivência, "aprender a conviver". Dessa forma ser livre para
conhecer outras pedras, "aprender a ser", e assim fazer diferente
"aprender a fazer".
Trocar certezas por
experiências!
Sabe aquele arroz que queimou?
Preciso aprender com ele! Aprender que o arroz pode não ser o prato principal
numa alimentação, mas sem ele o molho do
estrogonofe não segura no garfo. Aprender com o arroz é necessário! Ele queimou
poucas vezes esse ano a maioria das vezes deu certo, ficou no ponto,
branquinho e saboroso. Por que só lembramos o que queimou? Primeiro passo para
aprender com o arroz: reconhecer que o
arroz que faço é bom, "aprender a conhecer". Ter um arroz saboroso,
empapado ou sapecadinho em minha mesa diariamente, é muito importante. "Aprender a conviver"
nesse sentido é reconhecer que pode não ser o melhor, mas é importante.
"Aprender a fazer" no caso do arroz parece fácil, mil receitas no
google, receita da mãe, receitada avó. Usar receita pode fazer um bom arroz,
mas será que a experiência de inovar e permitir queimar o arroz de vez enquanto
não ensina mais? Como posso "aprender a ser" com o arroz? O arroz
mesmo coadjuvante reluz, não precisamos ser protagonistas e nem estar no topo da
cadeia alimentar para ser feliz. Feliz por aprender a aprender! Trocar receitas por experiências!
Se a vida apenas segue e não
me provoca, escorre pelos dedos da mão. Se aceito as provocações e procura
aprender com os desafios, posso até chegar ao final do dia abrir a mão e
perceber que quase tudo escorregou entre os dedos, mas isso não vai me fazer sofrer.
O que aprendi não estava nas mãos, mas no coração. Deixar o trocar por viver,
as provocações dos desafios e das
experiências.
Stella Maris Macedo de Sousa
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