Uma viagem no mundo distorcido
Com o início da semana começa a viagem ao mundo distorcido, nesse cenário: quatro pessoas num veículo vermelho. De maneira cordial e amistosa a viagem começa, conversa animada dividindo a vida e em torno um mundo distorcido.
A vida real partilhada por palavras se distancia da vida distorcida por bolhas, numa tentativa alucinada de trazer o real a distorção
passo a mão sobre o vidro para melhor enxergar. Sem conseguir continuo a ver esse mundo distorcido!
Fecho os olhos enquanto a conversa gira sobre a greve das universidades, o preço do supermercado fico assim um tempinho, só ouvindo. Resolvo abrir os olhos e vejo que o mundo distorcido continua lá fora, árvores com tamanho e formato de árvore, mas sem a nitidez das folhas; casas com portas e janelas, mas sem cores definidas; pessoas transitam com roupas coloridas, mas sem rosto. Penso em escrever uma poesia, mas a distorção não traz forma ao poema.
Nessa viagem ao mundo distorcido encontro na natureza uma sequência de sombras que se misturam ao real, parece um quadro pintado por um artista que procura sentido em sua criação. Refletir sobre a criação me transporta ao grande criador, Deus. Ele criou um mundo real sem distorção e nos apresentou sua forma de viver, criou e ensinou com a vida. Fomos chegando aos poucos nesse mundo real, e cada grupo que chegava criava uma dinâmica de viver.
Sinto me convidada a dividir a minhas experiências, encontrar em outras vivências uma nova dinâmica. Nessa reconstrução diária da vida, coloco esse mundo distorcido que persegue meu olhar.
Esse olhar que não para na distorção, passa muito rápido, e numa busca insana pela nitidez tiro meu olhar do foco distorcido e do ladinho consigo encontrar a nitidez que tanto procurava. Ainda encolhida em meus pensamentos percebo que assunto mudou, agora é um frango assado na brasa me interesso e começo a interagir, sem perder de vista o foco da distorção e o ladinho da nitidez. Quando o assunto do frango assado termina, divido minha experiência do mundo distorcido e da nitidez adquirida. Mostro o vidro do carro com algumas bolhas na película do insufilme, que fazem o mundo parecer distorcido, e o ladinho onde não tem bolhas que permite a nitidez.
Numa analogia com a vida percebo que muitas vezes focamos nas bolhas, e nosso olhar acostuma com a distorção, sem querer encontrar a nitidez vivemos. Voltando ao criador do mundo encontro a nitidez, e nas dinâmicas criadas pelos grupos encontro distorções consideradas verdades absolutas. Nesse momento de instabilidade política a distorção parece dominar, existem bolhas por todos os lugares, mesmo assim quero acreditar em "ladinhos sem bolhas" que possam nos dá a nitidez nas escolhas, nas ações.
Uma viagem ao mundo distorcido que salta do cenário inicial para envolver se na dinâmica dos grupos sociais, perpassa pela política, e encontra no coração de um poeta a alegria de se perder entre as bolhas da distorção e a nitidez do ladinho. Num convite ao meu mundo distorcido!
Stella Maris C Macedo de Sousa
Comments