Amanhecer


O despertador ainda não tocou, o quarto escuro, os olhos abrem devagar as mãos buscam o despertador para verificar a hora. Falta pouco para o despertador tocar, devagar vou movendo o corpo na tentativa de começar um alongamento. Com o mover do corpo, meu amado se move e me busca para pertinho dele, sinto sua respiração, seu calor, nesse aconchego aguardo o som do despertador.

O som do despertador é uma música, que toca lembrando que chegou a hora de levantar, intensifico o alongamento e levanto sem pensar muito. Ainda no automático troco de roupa e saio caminhando pelas ruas, a caminho da academia, olho para o céu e ainda vejo a sombra da lua que se despede, e aos poucos os raios do sol vão vencendo o dia.
Um espetáculo único! A cada dia o espetáculo se renova, a moldura é a mesma, mas o criador usa cores, nuvens, raios solares como um artista que pinta uma nova tela.

Nesse prazeroso caminho para academia, encontro várias pessoas que com disposição  desbravam seu dia, com a força de quem vai ao encontro do desconhecido, com a certeza que o sorriso e a saudação afastam a tristeza. Em meio a tantos desconhecidos, com aparência tão conhecida pelo encontro diário, vou também desbravando meu dia, entre um bom dia e outro. Nesse percurso inicial do dia encontro o mar, com suas ondas que quebram na praia e invadem meu coração, o  som do mar se mistura a minha respiração. Quando olho o mar ao longe vejo pequenos barcos, ainda com lâmpadas acessas, aguardando o momento do desembarque. Os primeiros raios solares se misturam a todo esse espetáculo, raios que não são capazes de cegar, mas que permitem meus olhos enxergá-los.

A esse espetáculo que o criador promove diariamente, emoldurado por coqueiros na orla marítima, em meio encontro a vida pesqueira em ativa, vou acordando minha vida. 
Assim vou acordando meu corpo!
Emolduro meu dia com as cenas que meus olhos enxergam, e as guardo em meu coração.
Numa poesia cotidiana amanheço na dinâmica da vida!

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