Crônica- Identidade social

Esse mês com o reconhecimento da união estável aos homossexuais, veio a tona um termo pouco conhecido mais muito usual entre os travestis, transexual, o “nome social”.
Durante uma entrevista que assisti, um transexual manifestava alegria pela conquista da união estável, mas também espera ansioso a autorização para mudança de nome, pois segundo ele o “nome social”, ou seja, o nome usado no seu cotidiano, não corresponde ao nome da sua carteira de identidade o que causa alguns constrangimentos.
Adotar o “nome social” faz o cotidiano mais próximo da realidade optada, em alguns momentos essa forma de identificação não é aceita,  o que para alguns é um reconhecimento para outros o torna um impostor. Por isso o reconhecimento do nome na identidade legitima uma convivência social.
Refletir sobre o “nome social”, levou-me a outras “identidades sociais”.
Como profissional adotamos “posturas sociais”, que podemos ou não incorporá-las ao nosso cotidiano, muitas vezes as utilizamos quando necessária e guardamos. Nesse sentido “pensamentos sociais” também parecem necessários em algumas situações, e poderia colocar aqui todas as nossas ações, como “ações sociais”.
Olhar essa palavra social, no prisma em sociedade  nos faz seres humanos moldáveis e esculpidos no social.
Bakhtin um linguista russo diz, “o ser humano não tem álibi na sua existência”.
Perceber como seres sociais, inseridos numa sociedade, não nos faz reféns.
E como não somos reféns, também não é necessário um álibi que justifique nossa existência, procurar na existência justificativa para nossas felicidades ou infelicidades, nos aprisiona.
Com a referência que Bakhtin faz a existência, liberta o ser humano da busca de várias existências.
Voltar ao “social” sem a necessidade de álibi que justifique qualquer “atitude social”, nos torna livres para vivermos e modificarmos o nosso “social”.
O social que nos molda também nos liberta, quando desistimos de justificar nossa existência!
Assim poderemos também adotar “nomes sociais”, nas diferentes realidades que passamos, sem o constrangimento ou a necessidade de justificar essa forma camaleão de ser, e a cada metamorfose um reencontro com a essência, sem álibis, reféns...

Stella Maris Macedo de Sousa
14/05/2011

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