Crônica da "Moqueica

O sol ilumina o dia, em busca de um lugar para almoçar, um restaurante chama atenção pelo nome escrito errado. Ao entrar, percebemos que o erro ortográfico aparecia em outras placas, a “moqueica” estava por todo lado. Mesas de madeira, bancos sem encosto, piso de areia batida pelos pés, mal sentamos nosso garçom aproximou simpático e solícito. Resolvemos comer lagosta, pela propaganda do garçom, com o decorrer do tempo percebemos que o garçom era o dono, o caixa, o relação pública e entre uma função e outra um gole da branquinha, ele tem ajuda dos filhos e da sua esposa, ela responsável pela deliciosa comida. Ágil, solícito, simpático parecia feliz na escolha da sua vida e profissão, ele nos conta que também pescava os frutos do mar. Entre uma solicitação e outra ele sempre vem conversar um pouco conosco, ficamos sabendo que o restaurante já tem 18 anos e muitas histórias pra contar.
Entre as histórias nos contou uma com muito orgulho: há 10 anos ,um francês tinha visitado o lugarejo, se encantado com o mar e a beleza natural, e lógico com a boa comida do seu restaurante, levou o francês para conhecer a pesca da lagosta , pesca de mergulho, e em pouco tempo ficaram amigos. O francês foi embora ,e pouco tempo depois ele recebe de presente a placa do restaurante, cardápio com sua foto ao fundo em meio a estrelas do mar e outros frutos do mar, e com olhar distante, parece querer voltar ao passado, ele comenta: - Nunca mais vi o francês. Mas o francês deixou sua marca em sua curta passagem, a “moqueica” que hoje nos levou a comer um delicioso filet de lagosta, e o melhor, conhecer um pouco da história. A marca mais profunda deixada pelo francês, foi a amizade plantada no coração daquele homem simples, e que emana tranquilidade, feliz com tantas amizades que passaram por sua vida, e com sabedoria as guardou em seu coração.
Assim como o sol ilumina o dia, aquele momento iluminou o meu dia. Uma vida tão distante do que parece o ideal, mas na dinâmica da aceitação e da busca da felicidade, encontram no dia-a-dia a realização de um dia esgotado pelo cansaço, de encontros e desencontros. A superação das dificuldades em meio à alegria do que possui, sem a lamuria do que podiam ter. Conhecer lugares sem pessoas é escuro, o que ilumina um lugar são as pessoas e suas histórias. Nesse sentido faço a analogia, entre a luz do sol e as pessoas e suas histórias que iluminam, e sem regras ilumina um dia mais do que outro. Dias nublados acontecem e pessoas sem histórias existem ,ambos não marcam, e sem marcas não iluminam.
Stella Maris C. Macedo de Sousa
09/03/11

Comments

Unknown said…
tem uma música que diz assim :
" quanto menor a casinha, mais sincero é o bom dia "é bem oque ocorre, quanto mais simplicidade, mais coração bom, puro e aberto se vê nas pessoas... rs... e adorei a sua frase "Conhecer lugares sem pessoas é escuro, o que ilumina um lugar são as pessoas e suas histórias." !!!

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