Crônica da vida


A realidade se confronta com o andar, andar que me leva a tantos lugares. Em cada lugar uma nova realidade, que se misturam com as que carrego. Essa alquimia dinâmica transforma, e renova realidades empoeiradas. Há muito ando, e ando sem pensar muito, deixo me conduzir pelos caminhos propostos, conhecer tantos lugares dentro de outros e integrar... Hoje chego, e comigo trago um pouco de mim e muito do mundo. Permitir me esvaziar a cada nova chegada, abrir-me, deixar que mais um pouquinho do mundo entre em mim, e assim desfazer as certezas que carrego, e aos poucos procurar outras certezas. Nessa dinâmica de desfazer e refazer, vou treinando o meu viver, afim de alcançar o que não procuro, mas o que deixo transformar.
A alquimia da incerteza treina meu olhar, a olhar sem a preocupação de enxergar. Olhar o além ver na imensidão do mar, o infinito, e sem enxergá-lo carrego a certeza de que muito há o que olhar. Lá vem a certeza querendo invadir meu olhar, mais uma vez desfaço a certeza, e lanço no infinito do mar, a dúvida do que virá. Assim meus olhos correm o mundo, sem deter-se a momentos, e sim retira dos momentos a estaticidade, e na elasticidade que move as ondas do mar, o encontro das dúvidas com as incertezas. A onda do mar ao chegar à praia, parece finalizar, mas antes que essa certeza acomode, a água retorna lentamente, e mistura a incerteza ao infinito do mar.
Com os pés na areia sinto os dedos soltos ao chão, num ballet de felicidade eles se movem, tentando fazer furos na areia, aos poucos se acostumam, se acalmam, e passam a querer sentir cada grão de areia... Ah! Com essa sensação de liberdade, e livres das fronteiras do calçado se colocam a caminhar. Olho para trás e vejo as marcas, nunca tinha reparado na curva do meu pé, como meu calcanhar parece estreito, sento e fica analisando a dança das minhas marcas deixadas na areia, tem momentos que parecem firmes, e em outros parecem procurar... Lá vem a onda, e a água leva toda a firmeza deixada por meus pés. Continuo a olhar e vejo como o mar é calmo, sem pressa a água retorna e carrega mais uma vez minhas certezas. Novos passos marcam a areia, não paro para olhar, agora sei que a liberdade dos meus pés não estão nas marcas deixadas, e sim no caminho percorrido, como numa coreografia sem ensaio prossigo.
Stella Maris Macedo de Sousa

Comments

Thiago Sousa said…
será que a marca do meu pé tb é estreita? heheh

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